Vivemos um tempo marcado por múltiplas desconexões: de nós mesmos, dos outros e do mundo. Em diferentes partes do planeta, observamos o enfraquecimento dos vínculos comunitários, a perda de sentido, a polarização social e uma crescente dificuldade de imaginar outras formas de viver juntos. É a partir desse contexto que surge a residência como um espaço de investigação, experimentação e criação compartilhada, interessado em explorar como podemos ampliar nossas formas de perceber, imaginar e nos relacionar com o mundo.
A residência foi inspirada por diferentes pensamentos que nos convidam a questionar os modos de vida dominantes e a cultivar a pluralidade. Ailton Krenak, ao falar sobre uma espécie de monocultura contemporânea, nos ajuda a perceber como nossas formas de viver podem se tornar empobrecidas quando reduzimos a diversidade de modos de existência. Geni Nuñez nos convida a pensar na possibilidade de reflorestar mundos, criando condições para que outras formas de existência, conhecimento, convivência e pertencimento possam florescer. Essas e outras referências — entre elas Davi Kopenawa, Timothy Morton e discussões contemporâneas sobre a policrise — fizeram parte do campo de pensamento que inspirou a residência e ajudou a formular sua pergunta central: Como tornar visíveis outros mundo possíveis?